(...)
Apesar de meu pai, hoje, estar empregado, assim como meus irmãos, por vezes ainda se ocupa de sua moto-serra, a todo gosto cuidada nestes anos que se passaram, para fazer os famosos biscates e ganhar alguns papéis impressos com números e trocar em algum lugar pra ajudar no orçamento.
Dia desses uma senhora aqui perto de casa pediu um favor. Era cortar UMA árvore no terreno ao lado de sua casa que a encomodava . Primeiro: o terreno ao lado não é dela. Segundo: ela usava a tal planta para apoiar a roldana onde sua filha colocava as roupas para secar. E terceiro: ela não tem a menor autoridade em cortar a dita cuja.
Mas sua justificativa, então, foi dizer que o dono do terreno nunca deu as caras e ela precisava cortá-la. E nada mais.
Meu pai sempre me convoca aqui em casa pra ajudar ele, pois sou o que menos trabalha e essas coisas de família. Percebi, ao chegar no local, que havia muito lixo, desde sacolas, papéis e até garrafas de vidro. Pensei na hora em comentar com ela o fato, mas preferi me guardar e fazer o trabalho, não estava lá de muito bom humor, também, por estar lá pra cortar uma árvore e tal.
Ela tirou a roldana que estava presa à árvore e o trabalho ficou comigo e meu pai. Para a ira de meu pai, lá pelas, tantas um arame enroscou na moto-serra, estragando assim o fio de corte da corrente, que ele cuida tanto. Para minha surpresa, ela olhou para meu pai, e sem a menor vergonha disse o seguinte, com seu carregado linguajar de descendência italiana:
- Esse arame? A gente que deve ter jogado aí! ... Enquanto não tiver ninguém morando a gente vai jogando as coisa.
Ah tá!!! Agora tá explicado o porquê de tanta sujeira. E com a maior cara-de-pau fala assim!!!
Que beleza!
Mas o que mais me deixa feliz é que essa senhora tem uma neta de no máximo 10 anos que acompanhava tudo pela janela que infelizmente deve não ter a noção do mau exemplo que sua avó dá. E o que me deixa mais feliz ainda é que eu sei que não é apenas essa senhora que tem tais atitudes, pensando que o que os olhos não veêm o coração não sente (como diz o velho ditado), e continuam a jogar e a jogar, sem a consciência de que nossa Natureza está se esgotando. Em breve estaremos sentindo muito mais forte as respostas e agradecimentos da Terra a tudo que nós, seres humanos e tão racionais, jogamos e jogamos fora e não soubemos aproveitar.
Eu sei, que o ato de meu pai cortar árvores é lá nada ético em fazer. Mas depois de ver tais atitudes sei que que nunca irei tentar aprender a manusear a tal moto-serra de meu pai. é o mínimo que posso fazer.
A pergunta:
e o Futuro?
O Futuro da neta daquela senhora? Como será? Tal menina terá a consciência de não jogar?
Tais atitudes me encomodam, e muito...
Por isso hoje escrevo isso, com o intuito de também fazer alguém refletir. Os agradecimentos da Mãe Terra estão aí, chegando!
Dizia, a mim uns dias atrás, uma amiga:
- Teve,nossa geração, o privilégio de ver, no ano de 2001, a última virada de milênio, ou, quem sabe século!
Quem sabe?
(...)
E pra terminar a história da tal senhora, quando terminamos de cortar a árvore, e eu já guardava os matimentos que usamos ela se aproveitou da situação e pediu para que fossem cortadas mais duas, alegando que as plantas obstruíam a claridade em sua casa.

Essas pessoas...
O que faria eu nos dias de verão se não tivesse a sombra das árvores pra espantar o calor?
Por favor:
aproveitemos bem o que ainda temos!